Pro hall da fama? Não. Pras estatisticas.
Ontem, como boa paulistana instruida e precavida que sou, entreguei tudo que tinha sem reação alguma ao sujeito que apontava uma arma para a cabeça do meu namorado.
Alguns minutos amedrontadores que não vão sair tão cedo da minha memoria. Como todo assalto, itens de praxe: bolsa toda com celular, ipod, estojo de maquiagem, chaves de casa, documentos, cartões, quinquilharias tipicas de uma bolsa de mulher, crachá da empresa, cartão pessoal e uma imagem de Santa RIta. A do namorado, com alguns itens a menos, mas não menos importantes.
O mais surpreendente desta história não é o fato de termos sido assaltados, e sim pelo fato de NÃO termos sido assaltados antes. Já faz parte do descritivo de qualquer cidadão: "Olá, meu nome é tal, tenho tantos anos, trabalho com tal coisa e fui assaltado tantas vezes." Porque isso se tornou algo tão normal? conformismo? Não sei bem o que nos leva a agir passivamente diante da violência. Como é sabido que hoje, a chuva assolara metade do país, hoje, também, mais 100 pessoas serão assaltadas na capital.
Obviamente não devemos reagir. Um homem armado se torna o soberano decisor do SEU destino. "Entregue tudo o que tiver sem pestanejar" dizem todos. Todos seus objetos se vão. Mas fica a sensação de humilhação. Naquele momento você está ao sabor do destino.
Hoje, com o corpo e mente frios, avalio o perigo e ao risco que fomos expostos. O homem que amo intacto e com saúde, eu, com minha integridade (pelo menos física) intacta. Agradeço por ter escapado à outra fatia das estatísticas não tão "sortuda", por assim dizer, que não me permitiria estar aqui hoje. Olhando pela janela e vendo que vai chover. De novo.
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