Não posso reclamar. Tive uma adolescência razoalvelmente tranquila. Sem grandes instabilidades, crises ou mutações físicas, daquelas que costumamos ver em seres que atravessam essa triste e difícil fase. Talvez a maturidade tenha vindo antes pela morte do meu pai, mas me permiti brincar de Barbie até os últimos momentos antes de trocá-la pela carteira de trabalho.
Toda a fase posterior foi linda. Muitos amigos, baladas, viagens, namorados... itens estes que não cabem nos dedos das mãos. Preocupada apenas com o que fazer no fim de semana...ai que saudade da faculdade! até dói de lembrar o quanto eu poderia ter aproveitado o boteco da esquina e deixei pra lá porque não achei que passaria tão rápido e jamais imaginei que sentiria falta disso.
Hoje, aos quase trinta - já que os 29 não tem personalidade - superei a verdadeira, talvez a primeira adolescência de verdade. Medo de crescer, medo de mudar, medo de errar, medo de ter medo... insegurança, mudanças físicas (umas para melhor, outras nem tanto...planejando uma visita ao dermatologista). Pela primeira vez, verdadeiramente, senti saudade do meu pai, sofri alterações constantes de humor, dor, rebeldia... Tudo isso não soa familiar?
O que deveria ter sido lá atrás veio a tona e tive, forçadamente, que enfrentar... Digo: ASSUSTADOR! chorei como nunca, senti como nunca, enxerguei como adulta. Meu ritual de passagem pra essa vida adulta foi estranho, mas foi importante pra tirar o peso do medo e deixar o caminho livre pra encher de novas coisas.
Estou pronta. Melhor. Maior.
Prazer, Guillermina.
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